sexta-feira, 5 de maio de 2017

O DESASTRE MOTIVACIONAL NO SERVIÇO DE POLÍCIA



Por Erick, O Caçador  




    É um conhecimento notório que ter um quadro de funcionários motivados é fundamental para o sucesso de qualquer iniciativa ou empreendimento. Essa verdade, amplamente desconsiderada na gestão pública, é um dos grandes problemas da Segurança Pública, pois só há uma palavra para caracterizar o grau de desestímulo do servidor policial, em geral: catástrofico!



    Para começo de conversa, o serviço Policial é um dos mais estressantes que existem, segundo pesquisas científicas. Imagine quando tal serviço é realizado sem estrutura adequada, sem segurança, em desacordo com as leis que amparam o trabalhador, com baixos salários, sem pagamento de salários em dia, em suma, imagine ser Policial no Brasil.



    Contabilize o fato de que o Policial é um servidor que arrisca a própria vida para ajudar a fazer justiça na Sociedade, mas que tem a impressão de que o Judiciário é sua Oposição. O chavão "Polícia prende, Justiça solta" é uma forma simples para explicar o porquê de muitos bons policiais "jogarem a toalha" com que "enxugam gelo"  todo dia, com grande risco de vida. Não causa encanto profissional a atenção dispensada pelo Ministério Público a detalhes do serviço policial que podem até exonerar o servidor, enquanto deixa de ver as condições de trabalho a que o Estado obriga o policial a combater numa verdadeira guerra civil - disfarçada de " crise de segurança".



    As leis brasileiras, notadamente durante as gestões Federais do PSDB, PT e PMDB tem se modificado amplamente no sentido de dificultar o trabalho dos Operadores de Segurança Pública, proteger o criminoso e garantir a piora sistêmica da Insegurança. Não é à toa que os últimos 20 anos viram a explosão de todas as estatísticas criminais, a desmoralização das Polícias, a ascensão das Facções Criminosas e dos Direitos Humanos dos marginais, a Guerra Civil franca nas ruas e o extermínio e subjugação da população aterrorizada. O destaque negativo vai para o Estatuto do Desarmamento, o Estatuto da Criança e do Adolescente, bem como para as Audiências de Custódia - três mecanismos para a vitória do crime, vendidos oficialmente como medidas de "proteção" e "garantias de direitos fundamentais". Há vários outros dispositivos legais nesse modelo.



    A mídia brasileira, notadamente certa rede de televisão, apóia a desmoralização total das polícias de várias formas, vendendo uma imagem tão negativa das instituições policiais que mereceriam freios em qualquer país sério - coisa que o Brasil há tempos tem alardeado não ser ao mundo todo, através dessa mesma mídia! É simplesmente insana a apologia de todo o tipo de safadezas por tais veículos de comunicação social, em detrimento dos bons valores e de seus guardiões legais. É triste ver a marginalização dos policiais, numa inversão total de valores... Afeta o moral de todo Policial, com certeza! De fato, muitos policiais se escondem.



    E a bandidagem, cada vez mais impune, mais numerosa, mais bem armada, mais ousada e agindo com iniciativa contra uma Sociedade apalermada, contra uma instituição "polícia" fraca, contra um Estado omisso. Os criminosos agora matam policiais e seus familiares, atacam Delegacias e Bases de Polícia, realizam insurgência e terrorismo na estrita definição dos termos, mas nada se faz, em termos concretos. Os gestores eleitos vivem entre mentiras e meias-medidas paliativas, sendo incapazes, ou mesmo cúmplices, da situação em piora. Em geral, viram as costas para as Polícias e para a população.



     Os Policiais, em geral, se sentem como fazendo parte de um exército derrotado, pois não há como vencer quando se é abandonado e combatido pelo próprio Estado. Para piorar, a situação é agravada por divisões internas, relações profissionais arcaicas e problemas de "ego" dentro das próprias instituições: se diz que um animal moribundo morde as próprias feridas, e tal é o caso das polícias.



    A verdade é que muitos já desistiram, outros são chamados de "doidos" por continuarem combatendo ( mesmo com tudo contra) e alguns... Ah! Alguns nunca vestiram a camisa da Polícia.



    É claro que esse desestímulo para o trabalho reflete na própria prestação do serviço, retroalimentando a série de condições amplamente desfavoráveis que as Polícias vem enfrentando em seu dia-a-dia. Quem perde? Todos nós! Quem ganha? O crime! Quem pode resolver? Os gestores públicos... E por que não o fazem? Fica o debate!



    Esteja claro: a valorização do Policial que trabalha pelo bem da Sociedade é a única forma de vencer essa Guerra Civil. Enquanto a atitude for outra, a espiral é descendente.




    Erick Guerra, O Caçador

sexta-feira, 28 de abril de 2017

FACÇÕES CRIMINOSAS ATACAM FAMÍLIAS DE POLICIAIS EM NATAL





Por Erick, O Caçador




    Nas Últimas semanas, pelo menos quatro casos graves de ataques contra policiais civis e suas famílias ocorreram na Grande Natal. Num dos casos, o policial foi amarrado enquanto sua casa sofria um arrastão; Noutro, um familiar foi sequestrado. Nas demais situações, marginais estão dando "ordem de despejo" aos policiais e suas famílias. Grave, uma situação dessas!




    Policiais Militares tem sofrido ataques idênticos, inclusive com vários tendo sido mortos esse ano. A conclusão lógica é a de que os casos não estão isolados entre si. E não estão mesmo!



    Por meses, as Facções Criminosas tem declarado, em seus "salves" , que seus filiados devem realizar ataques a Policiais e suas famílias, para destruir seus inimigos e "botar terror". Pois está em andamento, simplesmente!






      O pior é que, aparentemente, os profissionais não estão sendo tratados pelo Poder Público de forma especial. Não há comissão do Ministério Público para apurar tais agressões, tampouco o tema tem recebido a atenção de políticos em mandatos estaduais. Na imprensa, o assunto não recebe destaque. Não há mobilização de entidades de Direitos Humanos, nem da OAB, sobre o caso. Difícil explicar o porquê disso...



    Marcante tem sido o tratamento "diferenciado" no caso dos policiais presos pela "Operação Intocáveis", ano passado, em Mossoró, por supostamente integrar grupo de extermínio de marginais. Esses policiais, que continuam presos, tem sido tratados com um rigor que já está sendo considerado excessivo, dado que as provas não apareceram.



    Dado que até a Força Nacional foi utilizada na "Operação Intocáveis", seria pedir muito que as autoridades competentes dessem a mesma atenção ao extermínio de policiais e ameaças a suas famílias?




  Erick Guerra, O Caçador                      

sábado, 22 de abril de 2017

A TRISTE SORTE DE UMARIZAL




Por Erick, O Caçador




    Trabalhei como policial em Umarizal, cidade de 11.000 habitantes, entre 2014 e 2015. Quando cheguei, a cidade era a mais violenta do Estado do Rio Grande do Norte, conhecida em rede nacional de televisão como foco de pistolagem e Novo Cangaço. Na minha última noite a serviço em Umarizal, conversei com várias famílias tranqüilas e felizes, sentadas nas calçadas de suas casas - era "A PAZ DE UMARIZAL" - que saiu da lista das mais violentas estatisticamente, com grande satisfação da sensação de Segurança Pública.




    O que aconteceu entre uma data e outra, foi uma epopéia ( talvez um dia escreva um livro sobre o assunto) em que não faltou sangue, suor e lágrimas. Foi um ano em que quase não dormi e em que entrei de cabeça na Guerra contra o Crime e seus sustentáculos políticos. Também bati de frente com empresários inescrupulosos de eventos, playboys do pó e paredões de som, bem como suposta "gente de bem" que acoitava bandidos do próprio sangue. Sobre o comportamento de certos Policiais com quem trabalhei ... Dá outra novela da Globo. Coisas do Alto Oeste, digo para mim agora, que sou veterano. O povo e a terra, aprendi a amar; Da covardia, repugno.




   Quando fui transferido, a fama de Umarizal era de cidade em que a Segurança Pública tinha dado certo e, pessoalmente, havia eu ganhado o apodo, que acolhi como um título honorífico dado pela população, de "O Caçador". Dali fui ao Seridó, em Currais Novos, onde me envolvi em outra página gloriosa de bom momento na Segurança Pública nesse Estado, Graças a Deus. Elevo meus pensamentos para a  bela Currais, da qual tenho grata recordação.


    Em pouco tempo após chegar em Currais Novos, tive notícias do reinício do clamor popular por Segurança Pública na Cidade de Umarizal, incluindo um movimento nas redes sociais pedindo meu retorno ( movimento "Volta Caçador") e diversas passeatas pela cidade, em mobilizações populares históricas na Região. Por essa época, alguns "colegas policiais" orquestraram uma enciumada e contraproducente campanha de difamação da minha pessoa, o que lhes trouxe a desconfiança da população em peso - e não foi bom para o serviço. De lá para cá, assaltos, arrombamentos assassinatos à luz do dia e da noite ( no centro da cidade), lei do silêncio, invasões da cidade por quadrilhas de estouro de bancos, retorno do coito interestadual de criminosos na região, povo aterrorizado trancafiado em casa e fuga de policiais do serviço na cidade são o cotidiano. Umarizal é faroeste de novo, infelizmente. E também é óbvio que "alguém" ganha com a bagunça... Pois há uma conhecida "Operação Abafa" a nível local ( tipo: pessoas normais tem medo de falar que tem medo, pois podem sofrer retaliações de certas "pessoas de bem", se é que dá para entender).




   Na data em que escrevo, o Alto Oeste inteiro clama por Segurança Pública e há mobilização inclusive das classes políticas locais em torno do tema ( uma raridade). Alto Sertão abandonado à míngua de ações eficazes do Governo do Estado e repleto de lideranças políticas locais mafiadas. Deslei. A Sociedade sofre. Algo positivo será feito, efetivamente? Só Deus sabe!



    E Umarizal, pobre Umarizal - de tanta gente boa - a minha Gavião, de tão triste sorte, clama por sua triste sina, sob o troar de tiros, a fanfarronice desculposa de frouxos, a ousadia de fascínoras e as orações dos desvalidos.



    Nunca fui chamado pelo Escalão Superior da Segurança Pública para dizer como foi possível a "PAZ DE UMARIZAL", exemplo, ou modelo, de trabalho que pode ser reproduzido para outras cidades e, certamente reaplicado na própria Princesa do Alto Oeste, por outros policiais dispostos e corajosos. Coisas da Segurança Pública, digo para mim mesmo, agora que estou "passado na casca do alho", como fala o povão. Em Currais Novos, cidade quatro vezes maior, semelhante estratégia deu certo...



    O que tenho a dizer, enfaticamente, é que há solução. Vi e vivi isso, não posso depor o contrário. Há milhares de testemunhas.



    Mas... Como na hierarquia da Segurança Pública sou um simples Agente de Polícia Civil, da Classe mais baixa e sem condições objetivas de oferecer à população a quem sirvo as soluções que merece, continuo lutando na Guerra Civil Imunda, no lugar onde estou agora - e, a ti, Umarizal vão minhas orações.



    Fiquem com DEUS!





    Erick Guerra, O Caçador

quinta-feira, 6 de abril de 2017

DESGOVERNO E CRISE DA SEGURANÇA PÚBLICA



Por Erick, O Caçador



    Que a Insegurança Pública bate sucessivos recordes negativos, já deixou de ser novidade há tempos. De fato, o quadro estatístico criminal mostra um aumento explosivo de todos os índices, sistematicamente. É como se houvesse um desgoverno.



    Que a população clama por Segurança, é atestado por qualquer pesquisa de boca-a-boca. De fato, a Insegurança Pública é a segunda maior preocupação do brasileiro, atrás apenas da crise econômica. E esse clamor só aumenta a cada dia, pois a criminalidade esmaga as famílias sem perdão. É como se houvesse um desgoverno.



    Que as categorias ligadas à Segurança Pública ( PM, PC, ITEP, Bombeiros e Agentes Penitenciários) gritam por socorro, não é novidade nenhuma. A estrutura péssima, a falta de efetivo, as relações de trabalho arcaicas, problemas salariais, as cobranças absurdas, o risco de vida crescente, o abandono pelo poder judiciário - tudo isso se soma ao tratamento malandro, tratante mesmo, que o Governo  dispensa aos profissionais da área. É como se houvesse um desgoverno.



    Que não há uma estratégia para superar a Crise aguda da Segurança Pública, é fato. Nenhuma "Operação Munganga" ,  "Plano de Planejamento de Fantasias" ou "Programa de Conto-de-Fadas" foi além da fase de Maquiagem e Propaganda que se tornou a marca registrada do Governo. Não há perspectiva alguma de luz no fim do túnel. É como se houvesse um desgoverno.



    E, infortunadamente, não há só um, mas dois desgovernos: um a nível estadual e outro a nível federal.



    No Rio Grande do Norte, temos o Governador Robinson Faria, especialista em sair fora do Estado na hora em que se espera que trabalhe pelo setor que foi sua bandeira de campanha eleitoral, a saber, a Segurança Pública. Totalmente perdido, com uma imagem de incompetência veiculada internacionalmente ( lembram do Big Brother Alcaçuz?) e falando em reeleição, ele retrata perfeitamente o desgoverno que é seu.



    Na Presidência da República, temos um Michel Temer da vida, com quase 90% de reprovação popular, denunciado por compor esquemas de corrupção junto com o PT, insensível ao destino do povo brasileiro ( a quem quer escravizar), cercado de maus elementos a quem dá foro privilegiado. Esse tem como principais preocupações acabar com a Operação Lava-Jato ( onde está sendo investigado, junto com seus aliados) e implantar uma DITADURA DISFARÇADA no Brasil, nos moldes da que Maduro tem na Venezuela. Enquanto isso, as Facções Criminosas, sem freio algum, tornaram o Brasil palco da mais mortal Guerra Civil que há no Planeta inteiro, atualmente.




    Cidadãos de bem, operários da Segurança Pública e todos a quem interessar possa: não podemos mais esperar que esses desgovernos façam algo por nós, simplesmente porque eles são o contrário do que um governo seria! Vamos mostrar nossa força e agir CONTRA essa incompetência que nos rouba o bolso, que nos deixa sem paz, que nos tira a vida!





    ACORDA BRASIL! ACORDA RN! Vamos à luta!




Erick Guerra, O Caçador

quarta-feira, 5 de abril de 2017

SUPOSTO "GOVERNADOR DA SEGURANÇA" É TIDO COMO "BRINCANTE" PELOS POLICIAIS






O Governador Robinson Faria atesta seu descaso criminoso com a Segurança Pública do RN e com os servidores policiais, a quem faz de palhaços:



Por três vezes marca audiência com o Sindicato dos Policiais Civis e viaja para fora do Estado, sem dar nenhuma satisfação.

Os Policiais Militares estão sendo tratados com o mesmo desrespeito, com o agravante de que são ameaçados de prisão, caso exponham publicamente seu pensamento contrário ao abandono da população aos criminosos - exatamente como aconteceu a uma liderança do Corpo de Bombeiros Militar.



Os Policiais do RN estão exigindo condições de trabalho e dignidade no tratamento, pois o Governo da Insegurança recorde na história desse Estado não está nem aí para a Guerra de Facções Criminosas que já matou milhares de pessoas nesses últimos meses. A população é refém dos criminosos, os Policiais tratados como cachorros e o Governador passeando... Enquanto a pólvora queima e o sangue nas calçadas mostra que é hora de agir contra essa gestão irresponsável e conivente com a desgraça nesse Estado!

Vamos virar o jogo na Guerra contra as Facções Criminosas! Fora, Robinson!

Cidadão de bem, apóie as Polícias na luta pela NOSSA SEGURANÇA!

Juntos, somos mais fortes!

Erick Guerra, O Caçador

quinta-feira, 23 de março de 2017

A RETOMADA DO CONTROLE NO SISTEMA PRISIONAL

                       
                   

 




Por Erick, O Caçador



    Finalmente, uma luz surge ao fim do túnel, com relação à Crise do Sistema Prisional no RN. Após anos de verdadeira catástrofe, negligência e controle das cadeias por apenados, o pêndulo começa a oscilar na direção oposta.





    O principal foco da crise, a Penitenciária Estadual de Alcaçuz, está sob controle e em franco processo de reforma das instalações danificadas pela Guerra das Facções Criminosas. Observadores externos tem sido unânimes em destacar o bom trabalho dos Agentes Penitenciários Federais nesse processo.




    Ao mesmo tempo que Alcaçuz foi debelada, uma sistemática série de revistas  inopinadas tem sido feitas em unidades prisionais de todo o Estado, levadas a cabo pelo incansável GOE e pelos fuzileiros navais, resultando numa efetiva desarticulação da capacidade de combate das Facções. A quantidade de material apreendido surpreende: são centenas de celulares e componentes, drogas, armas artesanais e até armas de fogo! Isso dá prova de que não se pode dar folga à escória criminal, nem sonhar em afrouxar o regime interno dos detentos - como defendem os idiotas úteis e os próprios membros das Facções.








    Evidentemente, essas ações tem sido duro golpe na capacidade de comando, controle e comunicações das Organizações Criminosas Prisionais, que tem por característica básica exatamente fazer das próprias cadeias seus Quartéis-Generais.



    Há que se cuidar de alguns casos de fugas misteriosas que tem ocorrido, inclusive de vagabundos conhecidos pela capacidade de articulação  e desejo de matar policiais. Se é o caso de corrupção por parte de algum funcionário do Sistema, que haja punição exemplar, após rigorosa apuração. Esse é um detalhe importante a registrar, num momento em que as coisas começam a dar certo: não se pode admitir corrupção no Sistema, de forma alguma!




    Uma força-tarefa da defensoria pública está trabalhando em cima dos processos dos apenados de Alcaçuz, com o objetivo de libertar o máximo de detentos possível, dentro do que seus processos permitem. Se tal medida é considerada "boa para desafogar o Sistema", por outro lado, é uma péssima notícia para a população aterrorizada pela bandidagem que lhe oprime sem direito a perdão, indultos ou progressão de regime. De fato, ex-presidiários e apenados em regime de "prisão domiciliar" ou semiaberto são os principais esteios do Crime Organizado. O Judiciário talvez não esteja entendendo os meandros da Era do Crime Organizado em Facções, na sua Guerra Civil Declarada. E tome vagabundos "respondendo" por três ou quatro crimes, em liberdade por alvará, nas ruas, praticando mais crimes porque o Estatuto da sua Facção assim determina, sob pena de morte... Enquanto isso, a Polícia, no seu trabalho de enxuga-gelo, lota as cadeias de novo, com uma multidão de reincidentes cínicos, no costume de serem punidos brandamente. São os fatos.



    Com relação a criação de novas vagas, segue em bom ritmo a construção do Presídio de Ceará-Mirim, previsto para conclusão ainda esse ano. Outro importante passo está sendo o apronto final para o início das obras de mais duas casas de detenção em Afonso Bezerra. Tudo dentro do andamento de um planejamento macro que prevê a criação de cerca de 4.000 novas vagas, nos próximos anos.





    Elogio deve ser feito ao Secretário de Justiça e Cidadania do Estado, Walber Virgolino, bem como a sua equipe de trabalho, pelo atravessar desse vale escuro com sucesso, em meio às enormes dificuldades e limitações conjunturais. Finalmente, há uma luz, em meio às trevas!





   Está faltando é o concurso público para entrada de novos agentes penitenciários estaduais! Apesar de ter sido anunciado há tempos, esse concurso urgentíssimo  não teve ainda seu edital lançado - e há muita gente boa rezando por essa oportunidade...




    Estamos na torcida para que tudo continue fluindo bem, e que as providências necessárias sejam tomadas!




Erick Guerra, O Caçador

quarta-feira, 15 de março de 2017

A ESTRATÉGIA VITORIOSA DAS FACÇÕES CRIMINOSAS NO RN




Por Erick, O Caçador



    A Guerra das Facções, entre si e contra o Estado, segue com força total: se 2016 foi considerado "o ano mais violento da história", 2017 começa a ser a quebra do recorde, como os 484 assassinatos em 70 dias dão prova...



    As Facções PCC e SDCRN se matam entre si livremente, em sua Guerra Particular pelos negócios, favorecidas pela falta de policiamento ostensivo e investigativo. Armas pesadas como fuzis e pistolas privativas das Forças Armadas já fazem parte do cotidiano das ocorrências policiais; As Facções divulgam materiais nas redes sociais em áudio e vídeo, onde se delineia um discurso social no qual se fala de uso das armas para "combater a opressão" e obter "liberdade"... Objetivos especificamente Políticos são claros, pois alguns comunicados se dirigem ao governo ( reivindicando "Direitos" e fazendo ameaças de ataques terroristas) e outros à população ( justificando os atos terroristas e declarando que as Facções nada tem contra a população)... Inegável é a disputa pelo domínio territorial de regiões inteiras, onde o Estado cedeu por fraqueza. Tecnicamente, temos uma Guerra Civil, de tipo "insurreição" ou "insurgência", onde grupos combatentes (formados originariamente no Sistema Prisional) estão em pleno processo de implantação de Estados Paralelos, num cenário de Conflito de Baixa Intensidade. Como o Governo reluta em admitir tais fatos, não há a mobilização de Estado, a nível nacional, que permitiria a erradicação dos grupos terroristas, nos moldes do que aconteceu no combate exitoso a organizações assemelhadas nos anos 60 e 70. Com os insurgentes superprotegidos e as Forças de Segurança de mãos atadas, a Guerra vai sendo perdida pelo Estado Democrático de Direito.





    Na Grande Natal, em virtude do interesse em obter apoio popular, as Facções proibiram pequenos assaltos ( a pedestres e pessoas de aparência humilde), orientando seus filiados para direcionar as ações contra comércios, lotéricas e bares/restaurantes. Arrastões em residências de Classe Média e casas de praia estão em alta, bem como o roubo de veículos. Com isso, ganharam também certo silêncio da mídia televisiva, que se compraz em apresentar "dramas da pobreza", mas não dá muita bola para as causas sociais de pessoas que tem o nível de renda um degrau acima.



     Somente a falência gigantesca do patrulhamento das ruas pode explicar a absurda quantidade de carros e motos tomados de assalto diariamente; somente a precariedade enorme da estrutura de investigação/inteligência para não elucidar a cadeia logística dessa modalidade criminal: afinal, onde vão parar os milhares de veículos roubados todos os meses? A taxa de recuperação é mínima.



    O tráfico de drogas já chegou a um nível absurdamente alto, impune e rentável. Não se cogita mais sequer em acabar com essa modalidade criminal pois, já vai a tanto o desmantelo, que todos ficariam felizes só de conter o crescimento desse ilícito que articula outros ilícitos! Mas a Sociedade está sendo derrotada implacavelmente, mesmo nessa modesta meta: é dentro das próprias famílias que o tráfico de drogas tem seus principais defensores e seu mercado consumidor. Os traficantes vivem de abastecer os viciados ; A derrota da sociedade começa por dentro dela mesma. O viciado "cabeça" grita por "legalização", enquanto a Facção Criminosa a quem ele dá lucro ri e diz:"NÃO!" A estratégia é apresentar as drogas como fonte de bem-estar e alegria, ou mesmo "expansão da consciência", a despeito do meio milhão de vítimas fatais do uso direto das tais substâncias ( dados da OMS) e os dramas familiares/sociais que sobejam no rastro dessa desgraça. A estratégia do Crime Organizado está prosperando nas Vaquejadas, Encontros de Paredões e Shows musicais... E no dia-a-dia também!


    Assaltos a banco a partir do domínio de cidades inteiras, com fartura de explosões e tirotear espetacular de fuzis já estão no cotidiano do interior, sem que haja à vista uma solução a nível tático, para o problema. Arrombamentos e assaltos a correios, todos os dias ocorrem, praticamente. Esse tipo de crimes, junto com o tráfico de drogas, são apontados como a principal fonte de renda das Facções Criminosas como estrategicamente o crime tem se adiantado, em iniciativa, ao Estado, não há como deixar de assinalar a vitória das Facções em mais esse front.




    Ações coordenadas contra as Forças Policiais acontecem em duas frentes: a primeira é na realização persistente de ataques incendiários ou à bala contra Delegacias e Bases PM; A segunda é no ataque sistemático as pessoas dos policiais, em si, e suas famílias. A coordenação entre as duas linhas de ação, somadas ao abandono da categoria Policial pelo Estado - a começar pelos fracos e atrasados salários, passando pela falta de apoio e chegando às raias de uma criminalização velada - tem obtido êxito na imposição de uma "atitude defensiva" nas Forças de Segurança. Com o Poder de Iniciativa nas mãos, o Crime subjuga o Estado numa contradança de sucessivas derrotas, muito mal disfarçadas pelas maquiagens propagandísticas de autoridades cada vez mais sem credibilidade.



    O Judiciário segue soltando presos nas audiências de custódia e, aparentemente, numerosos  magistrados acreditam que com menos criminosos presos, tudo vai melhorar.  Nisso, estão em sintonia de idéias com os membros das Facções Criminosas e seu exército de advogados, que naturalmente almejam obter a impunidade para o banditismo, não importando o mecanismo ou o discurso de fachada... Mesmo assim, já há notícias de ataques ao Poder Judiciário no RN, talvez, só para mostrar quem tem a força, de fato. E pegue Alvará de Soltura, concessão de regime semi-aberto e prisão domiciliar! Tornozeleiras eletrônicas estão desfilando nos Shoppings e nas notícias de bandidos pegos em flagrante ( de novo).




    A ameaça de morte às altas autoridades do Estado é outra estratégia que tem dado certo para as Facções Criminosas, pois uma das explicações para a inexplicável letargia no combate a um problema tão agudo é exatamente a falta de coragem pessoal ( em quem tem o Poder) para fazer o que deve ser feito e vencer essa Guerra. Ao contrário, as manifestações de autoridades demonstrando indecisão ou hesitação, em meio a discursos e ações contraditórias entre si, só tem encorajado os combatentes do crime organizado a agir com mais firmeza e audácia.



    A Estratégia das Facções Criminosas tem sido vitoriosa por conta de se fazer em cima de  uma sociedade  doente, apática e de um Estado desorientado, fraco, que não lhe combate. A corrupção é o criadouro dessa derrota!




    O Plano Nacional de Segurança Pública, lançado em Natal, está razoavelmente bom para destruir, a nível estratégico, o trabalho do Crime Organizado? Ainda não vimos resultados.



    Que os que leiam estas linhas reflitam sobre as razões estratégicas da derrota de uma Sociedade Democrática, para a Escória Criminal.